Portugal "pós-Troika"

9 de março de 2012
"A Europa enfrenta um dos maiores desafios de sempre, descobrir se esta é realmente a Europa unida, única, que alguém sonhou um dia, ou se será apenas o seu pior pesadelo.
Para os Portugueses, a ler pela abstenção eleitoral para os círculos Europeus, a Europa nunca deixou de ser apenas a Europa em que nos inserimos como País, e que nunca verdadeiramente chegaram a sentir-se como Europeus. Confesso, que até eu, em dados momentos, me sinto um “falso Europeu”.

As divergências que existem entre os diversos países, quer a nível político, económico, quer a nível social, demonstram bem que a União Europeia está numa total desunião. A concentração dos poderes “a dois” (Alemanha e França), limitou os poderes de decisão da União Europeia consagrados no então Tratado de Lisboa, pela total subserviência e submissão de quase a totalidade dos restantes Estados membros, que nunca souberam exercer os seus direitos e deveres, a começar pelo direito e dever ao voto de todos nós cidadãos para o Parlamento Europeu, o que “nos” imputa a “responsabilidade” pela actual crise Europeia em que vivemos.

Digamos que na verdade somos muito de uma União Monetária e liberdade de circulação de pessoas e bens e muito pouco de uma União Europeia, onde os Países considerados mais fortes tomaram as rédeas desenfreadas deste “cavalo” semi-moribundo.

A crise que se instalou na Europa foi-se alimentando desta Desunião, do constante erro sistémico da incansável busca do valor do deficit de cada País em detrimento de reformas estruturais profundas e inadiáveis, em detrimento da reforma da própria União Europeia tal qual a conhecemos. A guerrilha instalada à volta de Rating’s e de notações, que num passado tão recente foram utilizadas como “arma” política para quebrar um Governo, que até então havia tomado medidas profundas, decisivas e defensivas de uma sociedade social, mais igual, mais interventiva e mais justa, tornou-se na “arma” que auto infligiria duras feridas a quem a usou. Portugal, num final de tarde de um não distante 24 de Março de 2011, perde a sua “total independência” e decide “entregar” nas mãos do FMI o seu destino, ao rejeitar um Programa de Estabilidade e Crescimento IV que era por si só mais expansionista que o próprio plano de “salvamento” da Troika. Os Portugueses têm então o que tanto desejavam e merecem, um “santo salvador” da Pátria defensor das políticas de subversão a Berlim, que querendo mostrar-se como um bom aluno aplicado, vais muito mais além das próprias medidas da Troika, tudo em nome da “pretensa estabilidade”.

Nem tudo eram Rosas, vivíamos momentos difíceis, árduos, mas passado pouco de meio ano de FMI, vivemos momentos ainda mais difíceis, ainda mais árduos, com a componente adicional de perca de soberania, de autenticidade, de um aumento abismal do pessimismo dos mercados, de uma crescente e desnivelada dependência ao BCE para tentar evitar um triste colapso com um “final de uma autêntica tragédia Grega”…
Perdemos socialmente em nome da liberdade dos mercados…"

António Cabral

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