"Grândola Vila Morena, não é apenas uma canção, não é apenas uma canção de intervenção, é também um grito de um Povo…”

António Cabral
3 de março de 2013
"Grândola Vila Morena, não é apenas uma canção, não é apenas uma canção de intervenção, é também um grito de um Povo…”

“Dois de março de dois mil e treze, o Povo sai à rua, coloca de lado a sua cor futebolística, a sua cor partidária, e reencontra-se nas suas diferenças. Afinal há mais que nos une do que aquilo que nos separa.
Um a um, formaram-se em muitos uns e naquele momento o número tomou a forma e força que no um não se encontrava, não se consolidava. E foram muitos que em uníssono quiseram gritar a sua revolta, por palavras de ordem, por cartazes ou simplesmente pelo simples silêncio. O número elevou-se ao som de “Grândola Vila Morena” e uniu-se de Norte a Sul. O Um passou a ser importante e a deixar de contar apenas para meras estatísticas. O Um percebeu que junto a outros Uns é mais forte e que, sim, ele é importante, ele faz a diferença, é mais que um simples número como lhe querem fazer querer.
A canção de Zeca Afonso perde-se no tempo, perde-se na História de um País, simboliza a Liberdade de um Povo, uma liberdade que parece prestes a ter fim e como em 1974, ela é de novo entoada, gritada, chorada. Em 1974 esta canção era cantada em todo o lado que existisse um Português, no trabalho, no campo, no Estrangeiro, em batalha no Ultramar, a canção de uma vila Alentejana que simbolizava o País. Para quem pensava que o 25 de Abril de 74 se encontrava “esquecido”, o dia 2 de março acordou-os para a realidade, ele está bem vivo dentro do peito de um Povo que muito sofreu e hoje sofre para não perder os valores de Abril.
O Povo não esquece quem um dia forçou um Governo a cair com a desculpa de que o Povo não podia ser mais sacrificado, não podia sofrer mais cortes, não podia perder mais direitos. O Povo não esquece como se passou de 10% para 17% de desemprego, como o crescimento económico consegue hoje ter uma contração de 1,9% contra os 1,9% de crescimento real na altura, como a dívida representava 93% do PIB e hoje representa 124%, como lhes tem vindo a ser cortado o acesso à educação, à saúde, à justiça, ao próprio rendimento do seu trabalho, colocando em causa a dignidade de pessoas que honraram sempre os seus compromissos.
Grândola Vila Morena, não é apenas uma canção, não é apenas uma canção de intervenção, é também um grito de um Povo…”
 

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