Eu diria “simplesmente demitam-se”…

António Cabral
14 de janeiro de 2013
Dezembro de 2012, Pedro Passos Coelho entrega o brutal Orçamento para 2013, entenda-se, brutal por ser próprio de bruto, extremamente desumano, e não por ser espetacular.
Junho de 2011, Pedro Passos Coelho enfatizava no seu discurso de tomada de posse:
“À ameaça de crise social e ao sofrimento gerado pelas atuais dificuldades respondemos com um Programa de Emergência Social, orientado para as pessoas com maiores carências e para os que mais severamente têm sido atingidos. Ninguém pode ser deixado para trás. Não queremos uma sociedade que abandona os seus pobres, que ignora as pessoas com deficiência, que não socorre os seus aflitos, que esquece os seus emigrantes, que rejeita os que procuram o nosso País para trabalhar e viver, que desampara os seus idosos, que se fecha aos seus desempregados.”
Dezembro de 2012, Pedro Passos Coelho entrega o brutal Orçamento para 2013, entenda-se, brutal por ser próprio de bruto, extremamente desumano, e não por ser espetacular.
Os Portugueses poderão agora comprovar de uma forma desumana a forma como Pedro Passos Coelho não deixa ninguém para trás, não abandona os seus pobres lembrando-lhes que vivem acima das suas possibilidades, como socorre os seus aflitos com uma injeção de impostos para “arrebitarem”, como ampara os idosos com uma almofada de carga fiscal e abre portas aos desempregados a saírem de Portugal à procura de empregos a preços de saldo.
Pegando nas palavras de Fernando Ulrich, Pedro Passos Coelho reafirma, “os Portugueses aguentam ainda mais agravamentos de carga fiscal, de impostos, os Gregos aguentaram e ainda estão vivos”. Certo, aguentam, alguns, os que sobreviverem, mas aguentarão Pedro Passos Coelho por mais tempo?
Depois de tratar os Portugueses como mal comportados, preguiçosos, gastadores, que vivem acima das suas possibilidades, de os mandar emigrar, Pedro, no seu discurso de Natal faz um ato de contrição digno da mais velha “Raposa”, talvez a pedido de Marcelo!? “Chega de tau-tau, dá um chi, para ver se “eles” se calam!”
O ano de 2013 será dos mais tenebrosos que Portugal… não, “Os Portugueses” já enfrentaram. Em apenas pouco mais de ano e meio, o Governo de coligação já conseguiu a proeza de colocar a divida a 120% do PIB, de colocar os desempregados em níveis recordes de cerca de 17%, de reduzir freguesias sem qualquer tipo de nexo e planificação realista de redução de custos, de encerrar Tribunais sem qualquer critério, aumentar os custos ao acesso à saúde, diminuir a igualdade de direito de acesso ao ensino, de iniciar uma autêntica caça às bruxas sobre os ditos “funcionários públicos”… estou cansado… de que serviu? Vai servir para? Diminuir ou acabar com o Estado Social. Cada um por si e todos pelo Estado. Os impostos que o Povo paga, são para garantir melhores condições de vida, a obtenção de uma reforma e ajudar os mais desfavorecidos, não são para ajudar na ruína ou morte prematura do Povo em benefício de alguns.
Janeiro de 2013 é divulgado relatório do FMI aplaudido por Carlos Moedas e Pedro Passos Coelho, enquanto Carlo Cottarelli, Diretor do FMI, insistiu no tema “gradualismo” da austeridade ao frio e desumano “simplesmente façam-no”.
Eu diria “simplesmente demitam-se”…

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