Ética económica

António Cabral
30 de setembro de 2012
Inicialmente pensei estar perante um parecer de um Conselho Económico, nos quais as variáveis serão sempre números e tratados como tal, dessa via não seria surpresa para mim nem para nenhum dos milhões de números de Portugueses. Perplexo sim, que a ética se funda à economia.
O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emite parecer, a pedido do Governo, no qual defende que é possível não fazer alguns tratamentos médicos a doentes com cancro, SIDA, ou doenças reumáticas, se tal não se justificar economicamente, e admite mesmo o racionamento de medicamentos, nomeadamente a doentes terminais.
Este parecer é tudo menos um parecer de ética médica para um Conselho de Ética, já que utiliza a “poupança económica” como justificação para a antecipação da anunciada cessação da vida. Ética médica: Conjunto dos problemas postos pela responsabilidade moral dos profissionais de saúde em relação aos pacientes. Qual o limite desta responsabilidade? Será a via económica uma justificação plausível? No meio de todas estas considerações, onde fica a vontade do próprio paciente? Inicialmente pensei estar perante um parecer de um Conselho Económico, nos quais as variáveis serão sempre números e tratados como tal, dessa via não seria surpresa para mim nem para nenhum dos milhões de números de Portugueses. Perplexo sim, que a ética se funda à economia.
O momento em que é emitido este parecer, também não me surpreende, quando tudo é justificável para o alcance de uma meta financeira, imposta e colossalmente ultrapassada pelo fracasso total de um Governo.
Mas, deste parecer sobressai um dado no mínimo curioso, em dado momento é delegado na consciência dos profissionais de saúde a manutenção ou não da vida de um ser humano, mesmo que essa não seja a vontade do paciente, mesmo que ele queira lutar um pouco mais, já que é economicamente justificável. Pode já até ser prática, como afirmaram algumas administrações hospitalares. A visão da essência deste parecer leva-nos a um outro tema similar, a Eutanásia. Se até hoje é reprovável eticamente a prática da eutanásia, este parecer parece abrir portas à sua prossecução, visto neste caso existir uma vontade expressa do “número”. Eutanásia: Teoria que defende o direito a uma morte sem dor nem sofrimento a doentes incuráveis.
Na verdade, já nada me surpreende nesta busca incansável do défice, como dizia Ricardo Araújo Pereira sarcasticamente numa das suas crónicas, “para as Finanças Portuguesas era vantajoso que os Portugueses falecessem até final do ano. Mas, os Portugueses são teimosos, ‘Não vou falecer!!!’, só para aborrecer a Gorda…” e o Governo…
O Governo segue um caminho desastroso, em que a ética, equidade, igualdade,… confundem com poupança em gorduras do Estado…

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