Para nós Abril não é passado, Abril é presente e será futuro.

Teresa Pais
25 de abril de 2012
Teresa Pais
Teresa Pais
Para nós Abril não é passado, Abril é presente e será futuro.
Tenho dito,
Viva a liberdade.
Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Resende,
Exmos. Srs. 1º e 2º Secretários da Mesa,
Exmos. Srs. Membros da Assembleia Municipal de Resende,
Exmos. Srs. Vereadores,
Exmos. Srs. Presidentes da Juntas de Freguesia
Digníssimas Autoridades Representantes das Entidades Públicas, Privadas e Religiosas,
Ilustres convidados,
Exmas. Senhoras e Senhores
Reunimo-nos aqui hoje em sessão solene para celebrar a implementação no nosso país da democracia e consequentemente da liberdade. E pela primeira vez é esta mesma data alvo de constatação, não porque os contestatários, os militares de Abril, sejam contra a celebração da efeméride, mas porque do seu ponto de vista, nunca como hoje foram os princípios de Abril tão contrariados pelos órgãos decisores.
O que os preocupa, não é mais nem menos que a morte de um modelo social que assentava as suas principais raízes do princípio da igualdade, da fraternidade e da liberdade. Ou seja, quase sem contestação vimos emergir e sedimentar-se uma sociedade cada vez mais desigual, que protege cada vez menos os mais frágeis e cujas verdades são ditadas pelo imperativo económico-financeiro. A decisão passou das mãos dos homens políticos para a das mãos dos homens das finanças. Agora quem decide não são os eleitos democraticamente, quem decide são os donos do dinheiro.
Como sabemos vivemos uma época de crise económica, crise esta potenciada pelo aumento da dívida pública, que por via dos défices orçamentais e da pressão dos mercados financeiros, arrastou os juros para valores insustentáveis, tornando-se no principal argumento para justificar a intervenção da Troika em Portugal.
As consequências desta intervenção poderão ser gravíssimas e eminente o risco social, atentas as desigualdades cada vez mais profundas que se instalam entre os diversos cidadãos, pois as soluções preconizadas obedecem a um único princípio: a uma crise crescente, responde-se com apoios sociais diminuídos e transitórios. Esta fórmula garantirá com certeza o regresso a uma maior imobilidade social e a uma menor distribuição da riqueza. As desigualdades sociais serão menos corrigidas pelas prestações sociais, penalizando os mais frágeis uma segunda vez e acentuando a sua exclusão do contrato social democrático instaurado pelo 25 de Abril de 1974.
Está assim aberto o caminho para um ataque sem precedentes ao Estado Social, não só em Portugal, mas por toda a Europa. Perante isto não nos podemos alhear do facto que as medidas que venham a ser implementadas possam colher entre alguns estratos sociais a sua anuência, não me refiro aos mais poderosos, mas àqueles que vendo em risco a impossibilidade de manterem um estilo de vida baseado no consumismo e na aparência, desprezem os princípios de redistribuição, culpabilizando os desafortunados pelo seu próprio destino. Os cidadãos portugueses, fortemente solidários e avessos à pobreza e ao sofrimento, parecem poder vir a unir-se na hostilidade às medidas que combatem a rutura dos laços sociais.
Não era este o nosso sonho.
Também não era o nosso sonho viver um desemprego galopante, um clima de relações laborais cada vez mais conflituantes, de permanente perda de direitos e de salários, com um acesso à saúde cada vez mais irrisório e a instalação de um desânimo cada vez mais generalizado.
O que fazer?
Temos que ter a coragem de pôr novamente tudo em causa, a começar por nos próprios, pôr em causa o nosso pensamento e a nossa ação, principalmente nós os que detemos cargos públicos e de decisão. Temos que ter a coragem para questionar os modelos que fornecemos, os ideais que transmitimos, os valores que pugnamos, porque o mundo não se explica só através de percentagens e de números.
Senhoras e Senhores,
Enquanto cidadãos na vivência das nossas responsabilidades pessoais, profissionais, políticas e sociais, quantas vezes não atropelamos o primado da liberdade “os homens são todos iguais”, substituindo-o por aquele outro “os homens são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros”.
A nossa responsabilidade neste atropelo não pode ser branqueada e todos temos que repensar as nossas verdadeiras motivações para a intervenção.
Servir sempre e acima de tudo o bem público, procurar a inclusão, promover o desenvolvimento e o empreendedorismo, lutar pela coesão e garantir a redistribuição, devem tornar-se novamente os desígnios dos que trilham os caminhos da política, porque ser merecedor de confiança é uma tarefa que se cumpre todos os dias.
Na política temos que ser servidores e não predadores.
Nas lutas que se avizinham contem connosco, com a nossa determinação, perseverança e empenho, sempre e cada vez mais na defesa dos interesses das nossas populações e do nosso concelho.
Para nós Abril não é passado, Abril é presente e será futuro.
Tenho dito,
Viva a liberdade.
Resende, 25 de Abril de 2012
(Teresa Pais)

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